Medellin é maravilhosa. Cheia de vida, pessoas incríveis, um metrô que voa, uma coisa doida. Tem muita história, muita cultura e muita vida. Foi um dos lugares que eu mais amei visitar na vida. Quero deixar isso bem claro.

Medellin também tem uma história muito triste de relação com um cartel de drogas famoso pela brutalidade e responsável por milhares de mortes na cidade e em toda a Colômbia.

Assistir a Narcos, da Netflix, dá uma ideia hollywoodiana das coisas, ler um pouco ajuda, morar em uma cidade gigantesca como São Paulo – uma grande consumidora de drogas, também – também te prepara um pouco. Mas estar nessa cidade é uma coisa de outro mundo. 

narcos-season-2
Wagner Moura interpreta Pablo Escobar

Já na primeira noite, meu namorado foi abordado uma três vezes. Moleques de não mais do que vinte anos chegam vendendo chiclete. “Chiclet?” ou “cigarrillo”? E depois, mais perto e mais baixo: “coca?”. É a cartada final. Claro que eles têm outras drogas (especialmente maconha) para oferecer, mas o paisa sabe o que o gringo quer. 

Com alguns dias na cidade, e conversando com os locais, você começa a aprender algumas coisas. Primeiro que pagar mais do que 20 mil pesos por um grama é burrice. Segundo que não são só os meninos que te abordam que têm a droga, todo tipo de gente tem cocaína para te oferecer. Taxistas têm, mulheres vendendo refrigerante nas calles têm. Seguranças das baladas têm.

Você começa então a ver o local com outros olhos. Perceber os olhares dos homens quando você passa: não, não é malícia (ao menos sexual). Querem perceber se a gringa está buscando coca. 

Conheci um taxista gente boa um dia. Conversamos sobre cocaína, sobre como a droga afetou a família dele (na década de 1980, Medellin virou verdadeiro cenário de guerra, com bombas sendo algumas das armas favoritas dos ~drug lords~). As ruas estavam vazias e as pessoas andavam com medo de virar mais uma morte no meio da guerra entre cartéis. Conversamos sobre como as coisas ainda eram assim por lá, só que sem figuras como Pablo Escobar, estão mais discretas. Mas o mercado global de cocaína ainda movimenta mais de 80 bilhões de dólares anualmente, vale lembrar.

screen-shot-2017-02-28-at-00-21-02
Qualquer um por essas ruas pode conseguir drogas tranquilamente

Compra-se drogas em Medellin por pesos colombianos, por dólares (cinco dólares pode te dar um grama da droga, por exemplo), possivelmente com outras moedas de troca, também. Você vê nas ruas as pessoas pechinchando, experimentando (aquela cena de filme, mesmo, colocando pó branco na gengiva), trocando dinheiro por pequenos pacotinhos cheios do pó branco.

Compra-se drogas em Medellin como se elas fossem chicletes.

Posted by:Amanda Previdelli

Jornalista, paulistana e geminiana. Já estudou desde Política Internacional a Yoga e Astrologia. Compra brigas nas redes sociais e mesas de bar, mas gosta também de viajar e conversar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s