Da primeira vez que vi a Serra fiquei sem ar. Da segunda, terceira e quarta também. Descer esse monumento natural de trem foi um exercício de humildade. Você pega o trem em Curitiba junto com mais centenas de pessoas. Lugar marcado. Fui sozinha, meu banco era só meu (só existem casais no mundo?). E desci para Morretes. Quer dizer, peguei o túnel do tempo com o destino à felicidade Morretes.

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Lá, tomei cerveja gelada ouvindo gaita. E depois comi umas balas caseiras ouvindo música típica italiana. Dava para ficar uma vida inteira entre uma bola de sabão e aquele arco-íris que faz a bomba d’água no lago.

Mas o melhor ainda estava por vir. Porque o melhor de uma cidade, para mim, são sempre as pessoas.

De Morretes, depois do barreado, aquela comida que desafia a gravidade, foi a vez de Antonina. Cidade pequena, uma igreja com um mirante. E eu precisava era fazer xixi depois das cervejas à beira-rio.

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Em busca de um banheiro, entrei no que parecia ser um daqueles restaurantes de cidade pequena que têm um feijão quase tão bom quanto o de casa. Não era um restaurante. Era uma casa lindamente decorada, com pé direito alto, móveis espaçados e um estilo rústico. Achei que fosse uma loja de móveis ou uma loja de decoração. Fui – e não minto aqui – dando passos para trás, numa marcha ré envergonhada. Não era uma loja de móveis nem tampouco uma loja de decoração.

Lá do fundo do quintal, sentados em uma mesa comprida de madeira, os donos do grito “pode entrar”. E eu já pedindo desculpas, perdão, foi mal, flw vlw. Mas a vontade de ir ao banheiro falava mais alto que a vergonha, como é sempre na vida.

– Desculpa, eu achei que fosse um restaurante, estava procurando um banheiro. Será que posso usar o seu toalete um minutinho só?

Uma senhora simpática que só ela levantou e me acompanhou até o lavabo da casa. Mostrou onde ficava sabonete, toalha, hidratante. Pediu que eu ficasse à vontade. Apaixonei. Saí do banheiro e fui agradecer os donos da casa. A senhora chamava dona Gemma. Perguntou de onde eu vinha, comentou sobre a solidão paulistana versus o aconchego de se ter uma casa em Antonina. Quis me mostrar a casa em Antonina. Como negar? E eu bem que queria conhecer. Não entendo de arquitetura, mas gosto.

As paredes eram da pedra original. É fria a casa? Não. No calor, refresca. No frio, aquece. Sobe a escada e esse é o quarto da minha filha, aqui no canto dormem as filhas dela. São duas. Crianças ainda. Umas gracinhas, olha as fotos delas aqui. Esse é o quarto da minha irmã. Viúva. A gente tenta trazê-la aqui o máximo possível. Faz bem pra alma, né? E esse é meu quarto. Sim, é bem grande. Ah, obrigada. Agora vem ver a varanda.

A varanda é linda. Com vista pro céu e pra água. Infinito azul. E ela faz questão que eu tire uma foto minha naquele ponto. O iPhone dificultou o processo. Tenta uma, duas vezes. A foto não sai. Eu peço para “deixar para lá”. Ela bate o pé. Foi aqui que gravaram a novela! Tiramos a foto. Duas.

Na saída da casa dela, ainda no andar superior, na janela que tinha vista para a praça, peço mais um favor para a dona Gemma. O último. Posso tirar uma selfie com a senhora?

Dona Gemma e eu (não nessa ordem)
Dona Gemma e eu (não nessa ordem)
Posted by:Amanda Previdelli

Jornalista, paulistana e geminiana. Já estudou desde Política Internacional a Yoga e Astrologia. Compra brigas nas redes sociais e mesas de bar, mas gosta também de viajar e conversar.

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