Alice não acredita em ciúmes, mas que ele existe, existe. A questão é que se você confia no moço, dizia ela para suas amigas, então não tem motivo para se importar com ciúmes. E se você não confia, se acha que só vai ficar em paz quando invadir a privacidade dele, então você só vai ficar em paz quando estiver solteira novamente e esse relacionamento é um desperdício de tempo. É isso.

Alice prefere ser traída a ser ciumenta. Não que traição não machuque, claro. Machuca e muito. E ela não sabe se perdoaria ou não. Ninguém sabe até ter que tomar a decisão. É quase como um assalto – você pode passar a vida jurando que jamais reagiria, mas na hora H sai correndo. Tem de tomar cuidado com essas coisas.

Mas quando um dia descobrir uma traição (Alice se diz realista nessas questões), o mais importante é ela saber que não fez nada de errado. A culpa será dele, ele que não cumpriu o acordo de monogamia e confiança do casal.

Se ela for ciumenta, ela que não vai ter cumprido o combinado de privacidade do casal ou, bem, de todo ser humano. A verdade é que traição entre duas pessoas que se amam é algo tão grande que não pode ser ignorado, e aí vem à tona com o tempo. A terra vai ficando mais e mais fina até que não é preciso cavar nada. Tá lá, na sua cara.

A Alice tem uma amiga muito ciumenta, a Carol. Carol namora há muito tempo, mas vive desconfiada do namorado. Talvez porque ela já tenha traído alguém, ou talvez porque eles começaram a sair quando ele ainda namorava outra mulher. Ela gosta de mexer nos históricos de e-mail dele, cheirar as camisas em busca de outros perfumes, passar horas no Facebook dele. Uma a uma, as ex-namoradas dele foram sendo deletadas dos círculos de amizade.

Engraçado: com uma delas ele ainda fala todos os dias por mensagem de celular (cuidadosamente deletadas). Reclama do ciúmes da atual, rememora outros tempos. Com outra, considera seriamente a possibilidade de marcar um encontro via direct message do Twitter, mas aí muda de ideia.

Tá tudo errado nesse relacionamento, Carol.

Posted by:Amanda Previdelli

Jornalista, paulistana e geminiana. Já estudou desde Política Internacional a Yoga e Astrologia. Compra brigas nas redes sociais e mesas de bar, mas gosta também de viajar e conversar.

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