Foi por pouco, Alice

 

Café da manhã. Espreguiça, aquela yoga matutina para limpar a mente. Trabalho. Ah, que delícia amar o que faz, ter bons amigos onde se trabalha, dar risadas. Almoço, mais do mesmo, mas tudo bem. Respira, aquela preguiça de depois do almoço tem de passar rápido caso contrário… Passou. Mais trabalho, debates, discussões, polêmicas, tanta coisa na minha cabeça que nada tem a ver com… Passou. Termina o expediente, essa hora do fim da tarde é tão perigosa, é o momento da calmaria que antecede a ansiedade… Passou. Pega o fone de ouvido e corre, Alice. Corre até cansar. Corre pensando em como você odeia correr, mas depois é tão bom e afinal fico com a mente ocupada quase nem lembro… Passou. Chega em casa, banho com música bem alta. Alice canta no chuveiro, não tem jeito. Na hora de dormir, um livro longo e fundo que é pra nem ter tempo de desviar o pensamento. Ler até as palavras se embaralharem e o cérebro ficar confuso. É, vou ter de ler esse capítulo todo novamente amanhã, mas, por enquanto, basta apagar a luz. Clic. Um dia inteiro sem pensar no moço. O moço. Droga. Amanhã tento de novo.